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segunda-feira, dezembro 15

não se aprisiona água em pedra de gelo

 não te contei segredos, nem essa página. 

deixei você me ler, te disse poucas coisas e demonstrei o que eu queria. minhas fragilidades foram pouco a pouco colocadas, te poupei de tudo. se há um culpado, esse não foi você. 

de você, espero ser digno de ao menos uma nota de rodapé, de uma vírgula da sua bonita história ou de algum pensamento


sorrateiro que te pega noite a fora ao som de alguma música, palavra ou memória da minha presença. De mim você ganha um capítulo inteiro.

fui frio e firme como uma pedra de mármore, me protegi de não mergulhar e me entregar, doeu muito a reconstrução e jurei pra mim mesmo que não volto mais a ela.

também fui pólo de segurança quando o mundo ousou te questionar, todas as suas incertezas confesso que passaram longe das minhas vontades, gostei e amei tudo na medida certa. te enchi de roupas como quem tentasse decifrar suas vontades e acertei todas as peças. eu te lia muito bem.

te li tanto que não pude negar ao seu pedido para ir embora, doeu muito ver seus olhos descrente do homem que você tanto admirou. você admirou poucos homens e por um momento, fui um deles. me dói perder esse status mas também assumo os riscos.

me preocupei em sair inteiro dessa relação desde quando tudo era borboletas no estômagos, o estrago de não dar certo falou mais alto que o tentar. confesso que me apequenei quando poderia ser gigante em tudo. 

e hoje, acredito que não seria nessa vida que vamos ser eternos. por isso te eternizo nas minhas memórias e deixo para outra vida a decisão de tentar novamente. (apesar de ter tentado)



e não espero que tenha orgulho dos próximos capítulos da minha história, só eu sei o que se passa aqui dentro. 


e antes que eu vá embora, eu te escolhi. Apenas saiba disso.


a você, meu grande parceiro, meu amorzinho desse tamanho 🤏🏾.

domingo, junho 23

de novo


amar como se nunca tivesse sido magoado.
ter planos como se nunca tivesse sido frustado
abraçar o mundo como se nunca o tivesse partido e voltar a dormir de conchinha depois de longas insônias.
tocar o céu da boca como se nunca tivesse tido selinho.
te tocar como se eu fosse virgem
cantar meu samba como se nunca quisesse ir embora, alguém pra ficar quando tudo que eu tinha se foi.

saltar de onde for… de novo!


me apaixonar pela surpresa do cuidado,
me encantar pelo presente do seu agrado.
amar a pequenez da sua mão quando me toca,
te ouvir dizer mil vezes a mesma história.
aplaudir de pé todas as suas melodias,
te impulsionar para fortalecer sua trajetória.
ter a calmaria de que caminhamos no mesmo sentido,
seguir vivendo esse sonho contigo.



domingo, setembro 24

24/09/2023

Antes que você (e eu) vá embora de vez, eu preciso confessar nesse dia: eu te amei! Das transas no começo da manhã até o sussurro de "ta feliz comigo?" em cada madrugada que atrapalhava seu duro sono, te amei desde o “posso me entregar?” até a promessa de sumir da sua vida na última mensagem de despedida. Dos olhos brilhando no seu pedido de noivado e a jura de nos fazer eterno até o cheiro do seu perfume que restava no travesseiro todas as vezes que você dormiu aqui.


Eu te amei em cada vírgula da nossa história torta, em cada lágrima que escondi no escuro do quarto, em cada excitação com nossos vídeos, em cada sorriso que suas surpresas provocaram, afinal eu era apaixonado nas suas surpresas e nas pequenas coisinhas que ganhei um dia. Eu te amei como quem esquece até mesmo de amar a si. Eu te amei nos goles de coca zero que dividimos em cada evento, nas empadas e receitas a noites que eram só nossas, nos devaneios noturnos em que meu prazer era seu orgasmo.


Antes que você (e eu) feche a porta de vez, eu preciso te contar que você foi o meu melhor sonho e o pior pesadelo. Durante todos os dias que estive ao teu lado, eu te amei até mesmo na instabilidade que era te amar. Das suas incertezas de um futuro profissional exitoso até a sua mania de deixar a toalha molhada na cama, do seu silêncio quanto a minha beleza e da sua demonstração de afeto pelos atos de serviços. Eu permaneci te amando quando a falta de razão era a única explicação para o amor.


Eu te amei até não saber amar mais ninguém, até desistir de encontrar em outros olhos o inexplicável que os seus me mostravam. Eu te amei mesmo depois da porta fechada, do celular continuar mudo, de te ver sorrindo em cada nova foto publicada. Eu te amei na imensidão da saudade, na solidão que a sua ausência causou e em cada foto que rasguei na tentativa de esquecer você.


Antes que eu perca a coragem, eu preciso te contar que eu realmente te amei. Eu te amei profundamente até perder todas as estribeiras e limites, eu te amei tanto que chorei escrevendo cada despedida. Mas assim como todo verbo encontra o tempo certo para existir, meu coração vai saber onde te colocar em minha história. As noites que me trouxeram a certeza do nosso amor, também confirmaram que sua ausência deixou de ser falta e passou a se chamar sossego.


(1 ano depois, eu digo não).





terça-feira, setembro 19

eu só queria

que voce aparecesse na grade de casa aos berros dizendo que sempre fui o grande amor da sua vida e  que me pedisse desculpas por tudo o que causou a esse amor. 

reconhecesse que sintonia nenhuma vai entender o significado de se ajoelhar no box, de mandar calar a boca e de se sentir plenamente realizado com o ir bem fundo para produzir estragos. que entendesse que não há segredos que me foge aos olhos, que não há site, desejos ou conversas que me assustam mais do que me excitam. que essa pessoa apareceu na história errada, e não é culpa dela, os autores dessa historia se distrairam. visualizar que o domínio do mundo só pode ser alcançado e desejado por nós dois, e que a gente deseja dominar. não tem florestas ou mansidão que de conta da energia de um final de semana testando nossos prazeres e desejos. que nossos planos foram reais e não tem desvio de rota nesse caminho, e que a caminhada é nossa. eu queria que voce me respeitasse. eu queria ter segredos com você. eu queria que voce tivesse ficado.

eu sei que vou te encontrar no lugar ao qual voce nunca saiu e o que será quando voce souber que eu continuo guardando e sendo seu maior segredo? e mesmo sabendo seus maiores segredos, tendo o pior de você do meu lado, eu me descobri perdidamente apaixonado pela sua insanidade e pervertido na sua perversão. Não há ninguem como nós dois.


(pausa) 

pra ler escutando a música do casamento.

.

Mas, voce não viu mais sentido quando a nossa vida era o que tudo o que sobrou. Mesmo com tantos segredos e aberturas você escolheu se deleitar em outros corpos, corpos estranhos, pequenos, sujos e irresponsáveis com a sua grandeza. você escolheu ser pequeno quando poderia ser gigante. Eu te quis como uma promessa e a sua vida virou o seu maior segredo, dessa vez comigo. você escolheu ir embora chutado de casa, tenta negar que não sente, que o erro foi nosso, mas eu sei o que se passa aos domingos, eu sei onde você guardou a aliança, eu sei que você escolheu não ver mas tem sentido a minha falta, as minhas palavras, o meu carinho, a minha transa e o meu amor. eu sei o que pensou no dia 11, no dia 18 e sei o que vai pensar nos proximos dias... quem a gente poderia ter sido a mais do que já fomos?


eu sei que vou te encontrar no seu segredo. você ainda é o mesmo. e eu também. 

(quando for me procurar, esse é o texto que você tem que ler).

quinta-feira, maio 3

Do que se fica


Tempo.

Eu demorei a escrever.

Eu sei que a minha escrita é a forma que meu corpo encontra para externalizar, colocar pra fora, jogar no ralo, toda a dor. Sempre foi assim. Sempre será assim.

Eu arrumei o quarto, despreparei o coração, para a sua saída. E doeu. Troquei a cama de lugar, tirei todos os lençóis, remodelei o espaço, tirei presente, os escondi, as fotos foram trocadas, dei pausa em Don’t Wait, as cartas com sua escrita foram envelopadas novamente, tirei perfumes e toques, tirei vocabulário e manias, ranquei suas raízes do coração e o adubei, mudei guarda-roupa, tirei suas roupas e as minhas, eu tirei tudo, forcei suas lembranças pra fora do meu corpo como lagrimas, mas você não saiu.

Eu deitei em outros corpos, andei por outros caminhos, desbravei alguns e outros eu já conhecia bem, experimentei outros toques e cheiros, recebi outros afagos, gostei de uns me frustrei com outros, tive outros, misturei suor, me envolvi e corri, descobri que não estava pronto, forcei inícios, antecipei chegadas, misturei tudo, recaí, te ligava e desligava, ligava para outros. E te encontrava neles.

Do que se fica são tardes e noites sozinho, ou acompanhado de presença-ausência. Fica suas historias e coisas que só é possível com você, fica vontades inacabadas e muita magoa, fica futuro incerto, incertezas e também algumas certezas, fica esperança, fica lagrimas e também risos das lembranças, fica você de um jeito muito particular, um jeito antes nunca pensado.

Talvez alguma parte de mim ainda te espera para construir aqueles nossos sonhos de futuro, corações azuis, diamantes, sextas, madrugadas...

 Mas também outra parte espera aconchego no caos, conforto, ajeitamento. Para quem sabe, por deslize, ou poesia, você saia.

Do que se fica, um, não dois, eu e não mais nós.

segunda-feira, agosto 29

Querubim

"Ela demonstrou tanto prazer em estar em minha companhia
Eu experimentei uma sensação que até então não conhecia
De se querer bem, de se querer quem se tem.

Ela me faz tão bem, que eu também quero fazer isso por ela."


Descobri o endereço do meu corpo que há algum tempo acreditava que não exista.
No fundo, imaginava que jamais seria despertado.
Contos românticos, já foram vários criados, reformulados e destruídos. Por um tempo me sentia destrutivo.

Acontece que me apego a surpresas. As pequenez da vida.
A surpresa do sorriso, do pão quentinho, a surpresa do cuidado.
O peito no peito, a busca incessante de encontrar uma mão para tocar.
Me recarregar e quando partir, deixar a carga cheia, para no outro dia receber mais carga.
A cafune no meu cabelo crespo, a beijos que molham os lábios.
A atenção, as metas e a fisionomia perfeita dos nossos corpos.
Arranhões, mordidas, respiração funda e o relaxamento com risos.
(...)

E as vezes eu nem acho que merecia, é muito, é desproporcional.
E o que seria da gente sem meus medos e a sua coragem de enfrenta-los?

Me desarmei, tirei e joguei fora as munições que ainda tinha, se for pra enfrentar, que seja de peito aberto.
Por isso Aceito, aceito ser seu pra viver. Aceito navegar por essas águas, aceito me aquecer nesse teu sol e beber na tua fonte. Aceito do centro as goiabeiras. Aceito o sangue por isso, a dor, mas também o prazer. Eu te aceito por completo.

Com remetente. Para meu bem.

terça-feira, maio 17

Faço de tudo - Ney Matogrosso


"Não sei se alguém já te falou
Mas você é total
Um absurdo
Passa devagar pra eu te olhar
Sentir seu perfume
Gravar o seu cheiro
Quero entender o porquê
Que sua pele me atrai
E tudo que eu quero é você
Se tudo se completa em você
Contigo eu faço de tudo

Me leve urgente pra algum lugar
Me diz a verdade, me fala mentiras
Me beija pra eu não raciocinar
Me tira do sério
Me rouba os sentidos
Se eu tô entregue a você
Se minha pele te atrai

E tudo que eu quero é você
Se tudo se completa em você
Contigo eu faço de tudo."


(http://ofpanisetcircenses.blogspot.com.br/)