Tempo.
Eu demorei a escrever.
Eu sei que a minha escrita é a forma que meu corpo encontra
para externalizar, colocar pra fora, jogar no ralo, toda a dor. Sempre foi
assim. Sempre será assim.
Eu arrumei o quarto, despreparei o coração, para a sua saída.
E doeu. Troquei a cama de lugar, tirei todos os lençóis, remodelei o espaço,
tirei presente, os escondi, as fotos foram trocadas, dei pausa em Don’t Wait, as
cartas com sua escrita foram envelopadas novamente, tirei perfumes e toques,
tirei vocabulário e manias, ranquei suas raízes do coração e o adubei, mudei
guarda-roupa, tirei suas roupas e as minhas, eu tirei tudo, forcei suas
lembranças pra fora do meu corpo como lagrimas, mas você não saiu.
Eu deitei em outros corpos, andei por outros caminhos,
desbravei alguns e outros eu já conhecia bem, experimentei outros toques e
cheiros, recebi outros afagos, gostei de uns me frustrei com outros, tive
outros, misturei suor, me envolvi e corri, descobri que não estava pronto,
forcei inícios, antecipei chegadas, misturei tudo, recaí, te ligava e
desligava, ligava para outros. E te encontrava neles.
Do que se fica são tardes e noites sozinho, ou acompanhado
de presença-ausência. Fica suas historias e coisas que só é possível com você,
fica vontades inacabadas e muita magoa, fica futuro incerto, incertezas e também
algumas certezas, fica esperança, fica lagrimas e também risos das lembranças,
fica você de um jeito muito particular, um jeito antes nunca pensado.
Talvez alguma parte de mim ainda te espera para construir
aqueles nossos sonhos de futuro, corações azuis, diamantes, sextas, madrugadas...
Mas também outra
parte espera aconchego no caos, conforto, ajeitamento. Para quem sabe, por
deslize, ou poesia, você saia.
Do que se fica, um, não dois, eu e não mais nós.
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