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terça-feira, maio 17

Faço de tudo - Ney Matogrosso


"Não sei se alguém já te falou
Mas você é total
Um absurdo
Passa devagar pra eu te olhar
Sentir seu perfume
Gravar o seu cheiro
Quero entender o porquê
Que sua pele me atrai
E tudo que eu quero é você
Se tudo se completa em você
Contigo eu faço de tudo

Me leve urgente pra algum lugar
Me diz a verdade, me fala mentiras
Me beija pra eu não raciocinar
Me tira do sério
Me rouba os sentidos
Se eu tô entregue a você
Se minha pele te atrai

E tudo que eu quero é você
Se tudo se completa em você
Contigo eu faço de tudo."


(http://ofpanisetcircenses.blogspot.com.br/)

domingo, abril 10

Me derr-amando.

Aí a gente vai descobrindo, pouco a pouco, devagarinho, que ser  muita, ser excesso, ser o que transborda, o que sobra e não o que falta não é ser trouxa. É ser o que se quer! 
Depois, é uma questão de tempo para aprender a derramar no lugar certo.


(Ana Martins, devaneios de facebook)

domingo, janeiro 31

Dorme aqui hoje

Deita aqui do meu lado e não precisa dizer mais nada. Sem compromisso de ligar no dia seguinte ou deixar um bilhete de despedida no criado mudo. Só deixa eu ser teu porto nesses dias de maré alta. Me abraça forte e deixa que o perfume do teu corpo me faça acreditar que amanhã tudo vai ficar bem mesmo sem você.

Dorme aqui essa noite. A gente divide o café e as piadas bobas. Nem precisa falar sobre seu dia, muito menos sobre o seu passado. Mas se quiser, meu colo será seu melhor abrigo. Às vezes, desabafar alivia aquela angústia inesperada no fim do dia. Às vezes, combinar nossos silêncios é o suficiente para acalmar um peito inquieto. Só não levanta e bate a porta. A cama é grande demais e o seu abraço ainda é a melhor coberta nas noites frias.

Deixa eu fazer tuas vontades. É que teu riso afasta toda possibilidade de tristeza, e meu coração anda querendo se aninhar na felicidade. Prometo te deixar ir embora quando tudo parecer ficar sério demais, quando as coisas perderem a leveza, quando o casual ceder lugar para as imensas complicações que a gente insiste em provocar. Você sabe, a gente ainda teme começar de novo e acha melhor seguir em frente sem riscos de sofrer, mesmo que isso signifique arriscar o amor.

Espera. Não fica triste! Eu tenho preferido deixar tudo claro para que teu peito não desperte à toa. Meu coração odeia ser acordado em vão e, quando não se irrita, ele chora pelas perdas que a vida traz. Não sei se a gente aguentaria outra aventura em busca de um final feliz, mas minha intuição nunca foi boa quando se trata de amor. Melhor não esperar nada: nem do amanhã, nem do acaso.

Só fica um pouco mais. Mais um abraço, mais um cochilo, mais um sorriso daqueles que aperta os olhos. Eu sei que o nosso combinado era não pedir mais, mas é que, no teu peito, meu desassossego vira paz. Não se perde de mim e nem deixa eu me perder. Mesmo sem promessas, é o conforto da tua companhia que eu tenho desejado todas as noites. Não se apressa, nem se atrasa. Apenas fica.

(Patrick Moraes)

sexta-feira, janeiro 22

Namoramar.

Namoramar
para seguir de mãos dadas
e projetar no futuro o presente.
Namoramar
para se sentir acompanhada
mesmo quando o outro está ausente.
Namoramar
para encontrar no amor sua casa.
Namoramar
para ter em si o aconchego que é estar
tão na-morada.


(Namoramar para desenhar sentido na rotina e descobrir no
verso seu inverso ou sua rima).

sexta-feira, janeiro 15

Se (de)rr(ame)

(Minha nudez foi apresentada
Não os meus órgãos 
Mas a nudez interior
Eu nunca me senti tão exposto.)




Pra ler ouvindo, Tiê, ali.

Hoje não tem mais conversa, não tem mais birra, troca de conhecimento, não tem mais coração lilás.

Eu já gastei o coração azul, agora o lilás, me restam poucos e não quero repetí-los com outro enredo.

Logo eu que somente me importo com o simbólico, até porque, de nada adiantaria se não fosse o beijo na testa e os sussurros no ouvido. E foi naquela hora em que eu já sabia que não era mais meu, eu ali já tinha me entregado e mesmo no escuro eu sabia exatamente onde estava sua boca.

Eu me entreguei como sempre me entrego, sem freio e medida, eu sempre detestei a medida, mas como sempre, a planta também morre com muita água.

As palavras pensadas me assustam, a cautela e a escassez.

Ora, eu não estou aqui para estar na medida, eu estou aqui para o exagero, para o acúmulo, o excesso, eu  quero os excessos. 

Eu quero noites mal dormidas, olheiras no outro dia e sorriso. Quero irritações, dor de cabeça e paz interior. Quero desejos, gritos e silêncio. Quero a falta da sintonia, o descompasso com a nossa combinação. Eu gosto é do estrago.

Eu não quero a normalidade, eu quero a dor, a raiva e o erro. Quero pensamentos, músicas, textos e curtidas. 

Eu não quero a solução do problema, eu quero a procura, a ajuda e a persistência.

É que nada em mim é fechado, eu sou feito de amor da cabeça aos pés e não faço outra coisa do que me doar. Eu tenho desejos maiores e o muito pra mim é muito pouco. 

Eu não sou um quebra-cabeça ausente de peças e que depende das suas para completar, eu sou todas as peças completas e estou disposto a juntar com as suas peças e tentar formar um quadro no estilo dadaista, em que só a gente vai entender.

Eu sou o copo cheio e gostaria que você viesse para derramar o líquido quebrando o copo, eu detesto o pacifismo, eu queria o caos, a plenitude do caos.




segunda-feira, agosto 10

Um só

Eu pensei direito
Fiz uma pesquisa
Eu li a respeito
E a gente é um só
Eu nos vi no espelho
E contei nossos dedos
Não fica vermelho
A gente é um só
Sem você, eu sumo
Eu morro de fome
Eu perco meu rumo
Eu fico menor
Eu tenho o seu gosto
Eu sou do seu jeito
A cor do seu rosto
Eu já sei de cor
Mas se você planeja
Nos partir ao meio
Então nem pestaneja
E faça sem dó
O meu desespero
É que quando acaba
Você fica inteiro
E eu fico o pó.


(Clarice Falcão, indicação do Ber)


segunda-feira, junho 29

É só isso


O estrago já se concretizou e o constante fracasso já evidencia o que já era óbvio: os outros são outros.

Acontece que na minha cabeça, todas as minhas construções seriam para chegar até você. E isso levaria anos, eu sei, e cá estou. Em sua altura, com toda uma bagagem, imensas inconclusões e com apenas uma certeza: é você. No sentido mais puro e delicado ouso dizer isso e também não digo isso como uma alternativa ou algo do tipo, digo isso porque sei que é você, e que já não há espaço para algum outro.

E sei que o tom da sua voz é o que completa perfeitamente com a simetria da minha, e que forma a melhor sinfonia. Sei que a sua altura é a que melhor se encaixa no meu abraço, fazendo assim eu abraçar o mundo ao teu corpo e apertar o máximo que posso você, eu consigo me sentir, te sentindo. Sei que aquela música, aaaah aquelas músicas, eu ouvirei incansavelmente a cada noite do seu lado e todas as minhas conversas e assuntos que imaginei ter com você durante esses anos, irão se concretizar e as nossas noites não terão fim. E no outro dia não vamos conseguir levantar da cama de tamanha preguiça, mas você vai querer levantar pra cozinhar e eu não vou deixar e quando eu deixar você sair da cama, será para perturbar na cozinha e te atrapalhar até deixar tudo queimar porque estaremos ocupados nos beijando e nos conhecendo a cada toque, a cada marca, a casa suspiro.

Eu sei, que em você há cicatrizes que demoram a se fechar e até me sinto um pouco culpado por alguns deslizes e erros, mas é que eu mesmo muito longe eu sempre estive aqui, aqui mesmo nesse espaço virtual acumulando devaneios e anseios para um dia realizar com você, aqui deitado olhando a chuva, ouvindo o barulho do ventilador com uma série de preocupações com o mundo mas jamais esquecendo que há uma pimentinha bem longe que vez ou outra ainda pensa em mim, e que vez ou outra aparece com um simples comentário, e que me tira o sorriso imediato e faz me sentir um bobão que fica rindo olhando para um celular.

Sei que falo muita coisa sem pensar,  mas é que é tanto acúmulo e na minha cabeça tudo parece ser tão fácil que quando não ocorre do meu jeito, parece que é um castelo areia que se destrói. Eu te quero nas pequenez da vida.

Olha só, a gente já se transformou, já não somos mais quem éramos. Já passamos por muitas montanhas, que demoram para subir e quando chegamos ao topo descobrimos que a vista não era do jeito que a gente queria e aí descemos e quando descemos, nos recusamos a subir novas montanhas, porque falta fôlego. Já passamos por rotinas, estresses e esquecimento. 

Mas, menino lindo, ainda não passamos pelas nossas histórias escritas. Não nos aquecemos ainda, não deixamos o pulso pulsar, a pupila dilatar, o músculo relaxar e o coração pulsar. Eu não passei por aí, e você, ah, você não passou por aqui.