(Minha nudez foi apresentada
Não os meus órgãos
Mas a nudez interior
Eu nunca me senti tão exposto.)
Pra ler ouvindo, Tiê, ali.
Hoje não tem mais conversa, não tem mais birra, troca de conhecimento, não tem mais coração lilás.
Eu já gastei o coração azul, agora o lilás, me restam poucos e não quero repetí-los com outro enredo.
Logo eu que somente me importo com o simbólico, até porque, de nada adiantaria se não fosse o beijo na testa e os sussurros no ouvido. E foi naquela hora em que eu já sabia que não era mais meu, eu ali já tinha me entregado e mesmo no escuro eu sabia exatamente onde estava sua boca.
Eu me entreguei como sempre me entrego, sem freio e medida, eu sempre detestei a medida, mas como sempre, a planta também morre com muita água.
As palavras pensadas me assustam, a cautela e a escassez.
Ora, eu não estou aqui para estar na medida, eu estou aqui para o exagero, para o acúmulo, o excesso, eu quero os excessos.
Eu quero noites mal dormidas, olheiras no outro dia e sorriso. Quero irritações, dor de cabeça e paz interior. Quero desejos, gritos e silêncio. Quero a falta da sintonia, o descompasso com a nossa combinação. Eu gosto é do estrago.
Eu não quero a normalidade, eu quero a dor, a raiva e o erro. Quero pensamentos, músicas, textos e curtidas.
Eu não quero a solução do problema, eu quero a procura, a ajuda e a persistência.
É que nada em mim é fechado, eu sou feito de amor da cabeça aos pés e não faço outra coisa do que me doar. Eu tenho desejos maiores e o muito pra mim é muito pouco.
Eu não sou um quebra-cabeça ausente de peças e que depende das suas para completar, eu sou todas as peças completas e estou disposto a juntar com as suas peças e tentar formar um quadro no estilo dadaista, em que só a gente vai entender.
Eu sou o copo cheio e gostaria que você viesse para derramar o líquido quebrando o copo, eu detesto o pacifismo, eu queria o caos, a plenitude do caos.

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