Arquivo do blog

segunda-feira, agosto 10

Um só

Eu pensei direito
Fiz uma pesquisa
Eu li a respeito
E a gente é um só
Eu nos vi no espelho
E contei nossos dedos
Não fica vermelho
A gente é um só
Sem você, eu sumo
Eu morro de fome
Eu perco meu rumo
Eu fico menor
Eu tenho o seu gosto
Eu sou do seu jeito
A cor do seu rosto
Eu já sei de cor
Mas se você planeja
Nos partir ao meio
Então nem pestaneja
E faça sem dó
O meu desespero
É que quando acaba
Você fica inteiro
E eu fico o pó.


(Clarice Falcão, indicação do Ber)


segunda-feira, junho 29

É só isso


O estrago já se concretizou e o constante fracasso já evidencia o que já era óbvio: os outros são outros.

Acontece que na minha cabeça, todas as minhas construções seriam para chegar até você. E isso levaria anos, eu sei, e cá estou. Em sua altura, com toda uma bagagem, imensas inconclusões e com apenas uma certeza: é você. No sentido mais puro e delicado ouso dizer isso e também não digo isso como uma alternativa ou algo do tipo, digo isso porque sei que é você, e que já não há espaço para algum outro.

E sei que o tom da sua voz é o que completa perfeitamente com a simetria da minha, e que forma a melhor sinfonia. Sei que a sua altura é a que melhor se encaixa no meu abraço, fazendo assim eu abraçar o mundo ao teu corpo e apertar o máximo que posso você, eu consigo me sentir, te sentindo. Sei que aquela música, aaaah aquelas músicas, eu ouvirei incansavelmente a cada noite do seu lado e todas as minhas conversas e assuntos que imaginei ter com você durante esses anos, irão se concretizar e as nossas noites não terão fim. E no outro dia não vamos conseguir levantar da cama de tamanha preguiça, mas você vai querer levantar pra cozinhar e eu não vou deixar e quando eu deixar você sair da cama, será para perturbar na cozinha e te atrapalhar até deixar tudo queimar porque estaremos ocupados nos beijando e nos conhecendo a cada toque, a cada marca, a casa suspiro.

Eu sei, que em você há cicatrizes que demoram a se fechar e até me sinto um pouco culpado por alguns deslizes e erros, mas é que eu mesmo muito longe eu sempre estive aqui, aqui mesmo nesse espaço virtual acumulando devaneios e anseios para um dia realizar com você, aqui deitado olhando a chuva, ouvindo o barulho do ventilador com uma série de preocupações com o mundo mas jamais esquecendo que há uma pimentinha bem longe que vez ou outra ainda pensa em mim, e que vez ou outra aparece com um simples comentário, e que me tira o sorriso imediato e faz me sentir um bobão que fica rindo olhando para um celular.

Sei que falo muita coisa sem pensar,  mas é que é tanto acúmulo e na minha cabeça tudo parece ser tão fácil que quando não ocorre do meu jeito, parece que é um castelo areia que se destrói. Eu te quero nas pequenez da vida.

Olha só, a gente já se transformou, já não somos mais quem éramos. Já passamos por muitas montanhas, que demoram para subir e quando chegamos ao topo descobrimos que a vista não era do jeito que a gente queria e aí descemos e quando descemos, nos recusamos a subir novas montanhas, porque falta fôlego. Já passamos por rotinas, estresses e esquecimento. 

Mas, menino lindo, ainda não passamos pelas nossas histórias escritas. Não nos aquecemos ainda, não deixamos o pulso pulsar, a pupila dilatar, o músculo relaxar e o coração pulsar. Eu não passei por aí, e você, ah, você não passou por aqui.

domingo, abril 19

Domingo

Pra eles todo o amor do mundo, pra gente o outro lado.

(Eles não te querem ver feliz)

Luz amarela, quarto branco, isso parece um hospital e eu um doente. E você a minha droga.

Juntos, e em um espaço de cobras prontos para atacar, eles se questionaram porque estávamos tão felizes. Eles não sabem o que é felicidade e conseguiram destruir meu castelo de areia.

Eles não nos queriam felizes.

E eu, só aceito a condição de ter você só pra mim, eu sei não é assim, mas deixa eu fingir. Te segurei nos meus braços e te tratei como meu, eu conhecia os leões e te queria longe deles, mas um dia você irá perceber que a liberdade demais sufoca...

Se te faço o que ninguém mais faz e te coloco no meu altar particular, não há motivos para estar do outro lado do muro, junto com os caretas.

Eu só posso te dar uma casinha no alto do morro com uma rede na varanda, muitas crianças, muitos vizinhos, não te prometo viagens internacionais e nem o seu carro, te prometo um mochilao de carona por onde a nossa mente tiver coragem, eu te prometo a coragem. Talvez seja pouco, mas para se concluir uma maratona de quilômetros, é necessário o primeiro, o segundo e o terceiro passo, para a planta florir é necessário a água, o calor, o abraço da terra e a boa vontade do universo. Eu não posso mandar no universo.

Mas em mim, uma coisa só me faz lembrar, que o dia o céu e a terra se uniram em um instante por nós dois, em dois, à dois, um pouco antes do nascer do sol e um pouco depois da fome. E dessa vez, o que vai ficar não será o seu olho claro ou sua lindeza que todo mundo comentou, o que vai ficar será a sua entrega a sós, descabelado, sem maquiagem e longe do status, verdadeiramente te encontrei nu. E a sua nudez me encantou muito mais.

Parace que o coração, se carece e dispara, se embrulha e se embaralha. Você me bagunça e tumultua tudo em mim. Aprender você, sem te prender comigo...

Pequeno, tome esse texto como forma de um beijo, aquele beijo que não pude dar quando você estava indo embora, era a minha maior vontade, certamente eu já sabia que não seria um "até logo" e por isso te agradeci no seu ouvido com um "obrigado". Obrigado pelo dia em que fui, mais feliz.



quarta-feira, abril 15

Do que fica


(Disso somente a gente é quem sabe, pequeno.)

Fica as madrugadas acordadas, deitados na cama e imaginando e planejando bobeiras, fica o gostinho bom e doce de visualização de mensagem instantânea e a percepção de que de fato há alguém ali, não visível mas presente. Fica as felicidades matinais de receber mensagens mesmo tendo conversado a madrugada toda, o momento de esperar o dia clarear para te acolher era a mágica se concretizando na distância.

Fica o aconchego de palavras e o intenso tesão cultivado diariamente através de olhares, bocas, corpos e intenções. Fica os meses de conquista, fica o pensamento do ano e também a vontade.

Fica nossos bocejos em sintonia e a minha implicância em te pedir para abaixar a tv para podermos conversar melhor. Fica o desejo de encher a sua casa de utopias e ideologias e a vontade de levar novos ares e visões para o seu crescimento. 

Das nossas vontades a gente é quem sabe, pequeno.

Fica os sorrisos inesperados ao lembrar de algumas declarações. Fica as músicas, os textos e todas as mensagens. Fica a dor te ver na solidão e a minha incapacidade de não conseguir mudá-la. Fica nossos conflitos, brigas e birras, ciúmes e paranóias.

O que não fica é a dúvida. O que não fica são os planos de futuro, o que não fica é a sexta-feira. Quem me vê na rua sabe que nos perdemos. O que não fica é o erro, o que não fica é você, pequeno.

sexta-feira, março 27

Além do que se vê


Moça, olha só o que eu te escrevi. É preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê...
Sei que a tua solidão me dói e que é difícil ser feliz, mais do que somos todos nós. Você supõe o céu. Sei que o vento que entortou a flor, passou também por nosso lar e foi você quem desviou,  com golpes de pincel.

Eu sei, é o amor que ninguém mais vê, deixa eu ver a moça, toma o teu, voa mais, que o bloco da família vai atrás.

Põe mais um na mesa de jantar, porque hoje eu vou praí te ver e tira o som dessa Tv pra gente conversar, diz pro bamba usar o violão pede pro Tico me esperar e avisa que eu só vou chegar, no último vagão.

É bom te ver sorrir, deixa vir a moça que eu também vou atrás e a banda diz: assim é que se faz!

Sei que a tua solidão me dói...
Sei aquela mesa de jantar...





sábado, março 21

Atirador


Atira na dor
Tira a dor
Guardador
Guarde-a-dor

Me deixou
Pra curar o amor
Se desculpou
Disse que não amou,
Mas nem provou 
O que provocou
E sonhou,
Ele nem ligou
Para o que deixou.
Se afastou,
E maltratou
Magoou
Abraçou ou ou
O primeiro que passou.
Ele nem ligou.

Como atirador
A arma pegou
Outros tanto acertou
E por aí se enrolou.
E desenrolou 
Porque nele sempre pensou.

Ele se rodou
Pelo mundo se aventurou
Lindo, novo logo gostou
A galera toda logo gozou
E ele aproveitou
O pouco que restou.
E logo vai olhar pra traz
E ver o velho atirador em paz
Vai se perguntar porque não o faz
Feliz o pobre do rapaz
Correu da vontade tão voraz 
Parece que nunca foi capaz
De trair o seu amor
Com o chato atirador.
E hoje foi melhor ter um fim
Eu aqui e você ali
Optamos por jamais sermos nós
Mas ta melhor sendo assim, a sós. 

(Talvez)

sexta-feira, setembro 19

Cem gramas, sem dramas

Mais uma dose, é claro que eu to a fim.

Ele saiu logo quando estava escurecendo de casa, sua mãe da janela o olhava partir, ela já sabia que ele não voltava pra jantar. Ele saiu cheio da sagacidade que a noite lhe prometia, parou no bar e virou a primeira purinha.

Ele foi absorver toda adrenalina que ta no ar, pegou o ônibus e encontrou sua galera, as novidades são as sequelas da noite anterior, todos estão derramados mas estão lá para a repetição, ninguém ali tem asa mas todos podem voar aquela noite.

No fundo todos queriam estar em outro lugar com outra pessoa, sabe né, essa é a galera que tenta desencanar através das altas doses de xixa e as substâncias que as quebradas oferecem, unidos pelas solidão, ta ligado? 

Mas a noite é longe e de loucas paixões ela será feita. De longe ele ver um antigo caso vindo em sua direção, era a vez dele de passar o baseado mas ele passou pra pessoa errado e geral brigou, na rua tudo se perdoa mas erra a ordem do baseado aí já é sacanagem! o boy chega abraça e vê a decadência que seu antigo caso está. O boy tenta alertar, mas ele responde que a vida ta cheio de limitado querendo te limitar e que só quer viver.

Ele já não é mais o mesmo, nem se relaciona com os mesmo, seu gosto mudou assim como suas gírias, seu gosto tem mais palavras do que melodia e sua galera é preparada e salvadora. 
Falam que ele fez isso por rebeldia do coração, que seja, hoje ele quer ser livre, enquanto os muleques jogam bola do outro lado, aqui eles botam fogo e se divertem a sua maneira.

Não fazem mal a ninguém, no fundo, são todos vítimas dos sentimentos. A reação nesse caso, é a interior, usam as substâncias mais variadas pra matar o que está dentro, cada um mata o amor como melhor preferir. De 4 em 4 horas de fogo o tempo pensando em alguém fica escasso, assim é bom.

A noite rola e eles continuam enrolando, sempre aparece alguém pra acrescentar na madrugada, nesse caso foi um convite para ir pra cama. Esses são os dois vícios dele, a noite e o sexo, e nessa noite, ele saiu vitorioso da Jamaica.


(Morrendo devagarinho