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quarta-feira, abril 15

Do que fica


(Disso somente a gente é quem sabe, pequeno.)

Fica as madrugadas acordadas, deitados na cama e imaginando e planejando bobeiras, fica o gostinho bom e doce de visualização de mensagem instantânea e a percepção de que de fato há alguém ali, não visível mas presente. Fica as felicidades matinais de receber mensagens mesmo tendo conversado a madrugada toda, o momento de esperar o dia clarear para te acolher era a mágica se concretizando na distância.

Fica o aconchego de palavras e o intenso tesão cultivado diariamente através de olhares, bocas, corpos e intenções. Fica os meses de conquista, fica o pensamento do ano e também a vontade.

Fica nossos bocejos em sintonia e a minha implicância em te pedir para abaixar a tv para podermos conversar melhor. Fica o desejo de encher a sua casa de utopias e ideologias e a vontade de levar novos ares e visões para o seu crescimento. 

Das nossas vontades a gente é quem sabe, pequeno.

Fica os sorrisos inesperados ao lembrar de algumas declarações. Fica as músicas, os textos e todas as mensagens. Fica a dor te ver na solidão e a minha incapacidade de não conseguir mudá-la. Fica nossos conflitos, brigas e birras, ciúmes e paranóias.

O que não fica é a dúvida. O que não fica são os planos de futuro, o que não fica é a sexta-feira. Quem me vê na rua sabe que nos perdemos. O que não fica é o erro, o que não fica é você, pequeno.

sexta-feira, março 27

Além do que se vê


Moça, olha só o que eu te escrevi. É preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê...
Sei que a tua solidão me dói e que é difícil ser feliz, mais do que somos todos nós. Você supõe o céu. Sei que o vento que entortou a flor, passou também por nosso lar e foi você quem desviou,  com golpes de pincel.

Eu sei, é o amor que ninguém mais vê, deixa eu ver a moça, toma o teu, voa mais, que o bloco da família vai atrás.

Põe mais um na mesa de jantar, porque hoje eu vou praí te ver e tira o som dessa Tv pra gente conversar, diz pro bamba usar o violão pede pro Tico me esperar e avisa que eu só vou chegar, no último vagão.

É bom te ver sorrir, deixa vir a moça que eu também vou atrás e a banda diz: assim é que se faz!

Sei que a tua solidão me dói...
Sei aquela mesa de jantar...





sábado, março 21

Atirador


Atira na dor
Tira a dor
Guardador
Guarde-a-dor

Me deixou
Pra curar o amor
Se desculpou
Disse que não amou,
Mas nem provou 
O que provocou
E sonhou,
Ele nem ligou
Para o que deixou.
Se afastou,
E maltratou
Magoou
Abraçou ou ou
O primeiro que passou.
Ele nem ligou.

Como atirador
A arma pegou
Outros tanto acertou
E por aí se enrolou.
E desenrolou 
Porque nele sempre pensou.

Ele se rodou
Pelo mundo se aventurou
Lindo, novo logo gostou
A galera toda logo gozou
E ele aproveitou
O pouco que restou.
E logo vai olhar pra traz
E ver o velho atirador em paz
Vai se perguntar porque não o faz
Feliz o pobre do rapaz
Correu da vontade tão voraz 
Parece que nunca foi capaz
De trair o seu amor
Com o chato atirador.
E hoje foi melhor ter um fim
Eu aqui e você ali
Optamos por jamais sermos nós
Mas ta melhor sendo assim, a sós. 

(Talvez)

sexta-feira, setembro 19

Cem gramas, sem dramas

Mais uma dose, é claro que eu to a fim.

Ele saiu logo quando estava escurecendo de casa, sua mãe da janela o olhava partir, ela já sabia que ele não voltava pra jantar. Ele saiu cheio da sagacidade que a noite lhe prometia, parou no bar e virou a primeira purinha.

Ele foi absorver toda adrenalina que ta no ar, pegou o ônibus e encontrou sua galera, as novidades são as sequelas da noite anterior, todos estão derramados mas estão lá para a repetição, ninguém ali tem asa mas todos podem voar aquela noite.

No fundo todos queriam estar em outro lugar com outra pessoa, sabe né, essa é a galera que tenta desencanar através das altas doses de xixa e as substâncias que as quebradas oferecem, unidos pelas solidão, ta ligado? 

Mas a noite é longe e de loucas paixões ela será feita. De longe ele ver um antigo caso vindo em sua direção, era a vez dele de passar o baseado mas ele passou pra pessoa errado e geral brigou, na rua tudo se perdoa mas erra a ordem do baseado aí já é sacanagem! o boy chega abraça e vê a decadência que seu antigo caso está. O boy tenta alertar, mas ele responde que a vida ta cheio de limitado querendo te limitar e que só quer viver.

Ele já não é mais o mesmo, nem se relaciona com os mesmo, seu gosto mudou assim como suas gírias, seu gosto tem mais palavras do que melodia e sua galera é preparada e salvadora. 
Falam que ele fez isso por rebeldia do coração, que seja, hoje ele quer ser livre, enquanto os muleques jogam bola do outro lado, aqui eles botam fogo e se divertem a sua maneira.

Não fazem mal a ninguém, no fundo, são todos vítimas dos sentimentos. A reação nesse caso, é a interior, usam as substâncias mais variadas pra matar o que está dentro, cada um mata o amor como melhor preferir. De 4 em 4 horas de fogo o tempo pensando em alguém fica escasso, assim é bom.

A noite rola e eles continuam enrolando, sempre aparece alguém pra acrescentar na madrugada, nesse caso foi um convite para ir pra cama. Esses são os dois vícios dele, a noite e o sexo, e nessa noite, ele saiu vitorioso da Jamaica.


(Morrendo devagarinho


quinta-feira, setembro 11

Nota

Vasculhando nas memórias algum assunto, encontrei a carta que eu rabisquei na capa de um livro: “pra você”, era o destinatário. Não sei por que não mandei, talvez não quisesse passar a limpo o passado. Em letras garrafais eu te dizia: “acertei o caminho não porque segui as setas, mas porque desrespeitei todas as placas de aviso”. E achei curioso eu usar essa metáfora sem nem ao certo saber o que queria te dizer com isto. E depois de repousadas aquelas palavras eu percebi quanta coisa eu escrevi pra você, querendo dizer pra mim. Porque eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta. Tive que voltar atrás, andar em círculos, perder dias, perder o rumo, perder a paciência e me exaurir em tentativas aparentemente inúteis pra encontrar um quase endereço, uma provável ponte: a entrada do encontro.Você tão ocupado com seus mapas, tão equipado com sua bússola, demorou tanto, fez sinais de fumaça e não veio. Você simplesmente não veio. Mas me ensinou a intuir caminhos certos, a confiar nos passos, a desconfiar dos atalhos. Porque eu estava do outro lado e só. Sem amparo. Mas caminhava. E você estava absolutamente equipado com seu peso. E impedido de andar por seus medos.

(Marla)

sábado, agosto 16

Eu aguardo


Conseguir dividirmos sem nos perdermos em per dar ços.


Eu Ainda espero fantasiar a música 'lugares proibidos' com você e quando tocar 'só hoje', espero que a gente se olhe com aquele nosso olhar no trecho "beijar teus olhos e olhar tua boca" e imaginemos a cena.

Espero ouvir da sua voz 'gatinha manhosa' pós cada briga sem sentido e assim percebermos que depois de cada desentendimento dois mil carinhos são entregues e despejados no lençol da cozinha. 

Aprenderemos um pouco de tudo sobre nós sem nos prendermos. 

Aguardo a gente assistindo filmes aleatórios no Space e fazendo interpretações próprias buscando uma lição de moral para o filme e quando acabar o filme pensaríamos juntos como seria a sua continuação, a parte seguinte. Porque com a gente não existirá pontos finais, apenas poucas vírgulas para caso alguém queira ler a nossa história irá se cansar sem entender. Seremos continuações de nós mesmo.

Aguardo o seu brigadeiro queimar para que eu possa lembrar e aumentar esse seu desastre para sempre, por mais que a sua lasanha seja a mais deliciosa e eu queira todo domingo mas o brigadeiro queimado eu vou fazer questão de jogar na sua cara para te irritar e você me odiar por alguns segundos, logo após o ódio, me amar muito mais.

Aguardo as visitas aos seus pais no interior, você reclamando dos mosquitos e eu te chamando de fresco enquanto tento montar no cavalo. Aguardo sua mãe me perguntando sempre o porque  que como pão puro toda manhã.... Ou ela brigando porque dormi até muito tarde. Aguardo jogar bola com seu pai e constatar que ele consegue ser pior que eu.

Aguardo nossa casa cheio de visitas, filhos, cachorros, gatos e pavões. Aguardo discos de vinil, aguardo taças de vinhos toda sexta e dançar agarrado ouvindo Amy Winehouse durante a madrugada.

Parece que o coração, carece e diz para longe de você.

Aguardo nossas discussões para decidir o lugar da nossa próxima viagem, você querendo Europa e eu América Latina, e assim te daria aula de política internacional misturada com história até te convencer que a Europa é boçal e que a América Latina é legal e tem muito mais coisas a serem descobertas. Você concorda para não discutir mais e depois me agradeceria pela a melhor viagem da sua vida.

Aguardo o início de tudo a letra maiúscula. O cosmo e os anjos conspirarem ao nosso favor. Hoje não foi mas há de vir, há braços  dados, cabeça no peito, pernas encaixadas e toda uma história para ser escrita, mas agora, apenas descritas.

segunda-feira, julho 21

Rascunhos (repostando).


Eu amo as madrugadas. Mas é que elas me roubam de um jeito e me avassalam com uma introspecção tal, que é difícil saber para onde eu vou quando acordo. E um trecho, só um trecho de livro, faz com que eu me perca em-si-mesma por entre redemoinhos, labirintos, galáxias... para dentro. Coisa de gente maluca. E eu deixo tocar aquela canção, da faixa de sempre, do CD que eu mais ouvi nessa última semana... e é estranho. É tão estranho.

Não tem tristeza aqui. É pensamento. Gosto de ficar em casa sozinha, descalça, botando água nas plantas e sentindo meus pés pela tábua fria. Mas é que hoje eu matei um vaso de flor, porque não tive paciência pra ele. Eu podia ter botado mais água, colocado no sol, mas é que eu queria que ele florisse antes. Ele não floriu, eu joguei fora. No lixo. A imagem daquele vaso bonito... caído, largado, tristonho me mostrou tanta coisa...

Eu enxergo metáforas por todos os lados, mesmo nesse meu vaso de flor. É que eu não aprendi a ser paciente. E quando as coisas não são exatamente da forma que eu espero que elas sejam, eu sigo em frente. E as flores morrem, fenecem, murmuram lá trás.

Se isso é bom? Acho que não. Mas é que na minha vida eu aprendi que às vezes para alguma coisa florir é preciso mais que cuidado ou fé... é preciso semente. 



(Eternamente meu) Lena.