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quinta-feira, setembro 11

Nota

Vasculhando nas memórias algum assunto, encontrei a carta que eu rabisquei na capa de um livro: “pra você”, era o destinatário. Não sei por que não mandei, talvez não quisesse passar a limpo o passado. Em letras garrafais eu te dizia: “acertei o caminho não porque segui as setas, mas porque desrespeitei todas as placas de aviso”. E achei curioso eu usar essa metáfora sem nem ao certo saber o que queria te dizer com isto. E depois de repousadas aquelas palavras eu percebi quanta coisa eu escrevi pra você, querendo dizer pra mim. Porque eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta. Tive que voltar atrás, andar em círculos, perder dias, perder o rumo, perder a paciência e me exaurir em tentativas aparentemente inúteis pra encontrar um quase endereço, uma provável ponte: a entrada do encontro.Você tão ocupado com seus mapas, tão equipado com sua bússola, demorou tanto, fez sinais de fumaça e não veio. Você simplesmente não veio. Mas me ensinou a intuir caminhos certos, a confiar nos passos, a desconfiar dos atalhos. Porque eu estava do outro lado e só. Sem amparo. Mas caminhava. E você estava absolutamente equipado com seu peso. E impedido de andar por seus medos.

(Marla)

sábado, agosto 16

Eu aguardo


Conseguir dividirmos sem nos perdermos em per dar ços.


Eu Ainda espero fantasiar a música 'lugares proibidos' com você e quando tocar 'só hoje', espero que a gente se olhe com aquele nosso olhar no trecho "beijar teus olhos e olhar tua boca" e imaginemos a cena.

Espero ouvir da sua voz 'gatinha manhosa' pós cada briga sem sentido e assim percebermos que depois de cada desentendimento dois mil carinhos são entregues e despejados no lençol da cozinha. 

Aprenderemos um pouco de tudo sobre nós sem nos prendermos. 

Aguardo a gente assistindo filmes aleatórios no Space e fazendo interpretações próprias buscando uma lição de moral para o filme e quando acabar o filme pensaríamos juntos como seria a sua continuação, a parte seguinte. Porque com a gente não existirá pontos finais, apenas poucas vírgulas para caso alguém queira ler a nossa história irá se cansar sem entender. Seremos continuações de nós mesmo.

Aguardo o seu brigadeiro queimar para que eu possa lembrar e aumentar esse seu desastre para sempre, por mais que a sua lasanha seja a mais deliciosa e eu queira todo domingo mas o brigadeiro queimado eu vou fazer questão de jogar na sua cara para te irritar e você me odiar por alguns segundos, logo após o ódio, me amar muito mais.

Aguardo as visitas aos seus pais no interior, você reclamando dos mosquitos e eu te chamando de fresco enquanto tento montar no cavalo. Aguardo sua mãe me perguntando sempre o porque  que como pão puro toda manhã.... Ou ela brigando porque dormi até muito tarde. Aguardo jogar bola com seu pai e constatar que ele consegue ser pior que eu.

Aguardo nossa casa cheio de visitas, filhos, cachorros, gatos e pavões. Aguardo discos de vinil, aguardo taças de vinhos toda sexta e dançar agarrado ouvindo Amy Winehouse durante a madrugada.

Parece que o coração, carece e diz para longe de você.

Aguardo nossas discussões para decidir o lugar da nossa próxima viagem, você querendo Europa e eu América Latina, e assim te daria aula de política internacional misturada com história até te convencer que a Europa é boçal e que a América Latina é legal e tem muito mais coisas a serem descobertas. Você concorda para não discutir mais e depois me agradeceria pela a melhor viagem da sua vida.

Aguardo o início de tudo a letra maiúscula. O cosmo e os anjos conspirarem ao nosso favor. Hoje não foi mas há de vir, há braços  dados, cabeça no peito, pernas encaixadas e toda uma história para ser escrita, mas agora, apenas descritas.

segunda-feira, julho 21

Rascunhos (repostando).


Eu amo as madrugadas. Mas é que elas me roubam de um jeito e me avassalam com uma introspecção tal, que é difícil saber para onde eu vou quando acordo. E um trecho, só um trecho de livro, faz com que eu me perca em-si-mesma por entre redemoinhos, labirintos, galáxias... para dentro. Coisa de gente maluca. E eu deixo tocar aquela canção, da faixa de sempre, do CD que eu mais ouvi nessa última semana... e é estranho. É tão estranho.

Não tem tristeza aqui. É pensamento. Gosto de ficar em casa sozinha, descalça, botando água nas plantas e sentindo meus pés pela tábua fria. Mas é que hoje eu matei um vaso de flor, porque não tive paciência pra ele. Eu podia ter botado mais água, colocado no sol, mas é que eu queria que ele florisse antes. Ele não floriu, eu joguei fora. No lixo. A imagem daquele vaso bonito... caído, largado, tristonho me mostrou tanta coisa...

Eu enxergo metáforas por todos os lados, mesmo nesse meu vaso de flor. É que eu não aprendi a ser paciente. E quando as coisas não são exatamente da forma que eu espero que elas sejam, eu sigo em frente. E as flores morrem, fenecem, murmuram lá trás.

Se isso é bom? Acho que não. Mas é que na minha vida eu aprendi que às vezes para alguma coisa florir é preciso mais que cuidado ou fé... é preciso semente. 



(Eternamente meu) Lena.

domingo, junho 29

Epílogos e finais (eu sei).


Para ler ouvindo, Jamz



Eu sei que você vai sentir saudade das minhas palavras no fim da noite exigindo ouvir sua voz, só para que eu me sentisse bem e notar a sua presença mesmo a quilômetros de distância. Sei que aquela aventura e o frio na sua barriga quando viu que eu não estava no lugar combinado, jamais vai sair da sua mente, e um dia você vai conseguir até rir dos minutos, que pareceram horas, daquele momento de espera.

Sei também que um dia você vai conseguir dormir de conchinha com alguém, eu realmente não levo jeito pra isso, mas tentei. E para uma primeira vez foi tudo o que poderia ser. Sei também que certas palavras só combinam com suas conversas. E que até das minhas pressões e falta de sossego, um dia você vai sentir a ausência e vai perceber que a liberdade demais, sufoca.

Você não sabe, mas eu só exigia o seu corpo constantemente perto do meu porque eu morria de medo de fazer frio entre a gente. E você me abraçava, beijava meu pescoço e dormia antes mesmo que eu pudesse transmitir algum carinho em forma de palavra. Você também não sabe mas eu esperava você me procurar para sentir o interesse, mas a minha vontade era de não parar de conversar nunca com você. 

Você não sabe mas os livros que conversamos estão nas minhas prioridades de leitura, e que aquela música que te mandei retrata muito bem o que estou passando. 

Sei que seus tapas era para me controlar, mas eu fazia questão de parecer descontrolado para te perturbar. E eu acho que você gostava.

Eu sei que quando você ter a certeza do que quer, vai se perguntar se meu corpo ainda espera para acomoda o seu e se ainda pode ser o que não foi. Mesmo se não for, aquela nossa viagem para Londres pode acontecer, mesmo sem a lua de mel e os nossos filhos. A questão é que planos feitos foram desfeitos da noite pro dia, lá e cá. 

Eu só não sei, se o nosso orgulho vai assumir posição e nos impedir de sermos felizes. Enquanto olho a janela observo que a gente se completou por uma noite com dois corpos em uma cama, intenso e inédito. Mas espero que enfim, a gente reconheça mesmo depois do ponto final que um dia, fomos nós. E eu não espero que todo esse sentimento um dia acabe, eu só quero que eles se ajeitam e que não me faça sofrer porque só o que é nosso permanece, e você, de certa maneira foi meu.


(Sei também que poderia continuar esse texto e retratar muitas outras coisas, mas outras coisas só a gente precisa saber. E hoje ficaremos com o ponto final.)

domingo, junho 15

Lavei a Toalha


'Cansei desse negócio de tentar ser bom' (Silva)



Eu não queria, mas ela já não cheirava do mesmo cheiro e não fazia mais sentido tê-la daquela maneira que estava quando você a deixou.
Abri as janelas do quarto, o ar precisava entrar, mudei a cama de lugar. Troquei os lençóis. Joguei fora tudo o que restou de um pedaço de uma possível lembrança sua.

Pintei as paredes do quarto, o branco de antes me lembrava hospital, e isso só aumentava minha dor, colori com cores alegres em uma falsa tentativa de se deixar levar pelo meio.
Essa é minha zona de limite, o limite entre a loucura e a dor. O inverno chegou. O ar condicionado agora vai funcionar, ele esquenta. Mas você não vem...
Não sei se mudei tudo para uma possível volta sua, para você perceber que mudei. Ou se mudei para você realmente nunca mais aparecer. O que sei, é que não você não está, os pelos da Malu já caíram e eu já aprendi a cozinhar, porque você não vem?

Mas no fundo, eu sempre soube que o inverno sempre me quis assim, jogado no frio assim, só. Sem satisfações, sem brigas, sem ciúmes, apenas só. É natural que seja assim você aí e eu aqui exatamente aqui.

Criarei um mantra. Não me dou sem ser dado, não alimento mais plantas carnívoras e não espere o ônibus que vai demorar a chegar.


sábado, maio 3

Aquilo que você deixa aqui







O que fica não é teu sexo tardio ou a tua ligeira entrega. Fica teu cheiro marcado na fronha do meu travesseiro e o toque da tua pele que pareceu provocar calafrios a cada minuto. Fica o sorriso de cabeça baixa na mesa do jantar, o elogio despretensioso quando você entrou no carro, o quase beijo da primeira noite que encostou teus lábios no canto direito da minha boca.
E
Não tem nada a ver com teus olhos serem os mais bonitos, nem teu corpo ser o que causa desejo por onde passa. Tem a ver com a forma como você agitou as borboletas adormecidas que vivem aqui dentro. Tem a ver com os sorrisos bobos que teimaram em aparecer durante o dia em meio aos pensamentos soltos. Tem a ver com as horas que se arrastam quando só cabe saudade para definir o que a rotina nos impôs.

Você não deixa lembranças quando se esconde atrás desse muro de incertezas criado para autodefesa. Você só se frustra ainda mais com esse tal de amor que nunca deu certo em sua vida. Na realidade, você só deixa marcas na pele quando se entrega: aos desejos, aos encantos, às incertezas que o destino te reserva, mas que só você pode dizer sim. Você somente deixa marcas aí dentro quando me dá sua mão e finge não ver todos os olhares daquela gente careta que se alimenta de pequenices vazias.

Quer saber? O que fica é aquela tua companhia do fim de semana passada, aquele teus olhos apertados acordando e dando de cara com meu bom dia em forma de sorriso de cara amassada. O que fica é aquele abraço de despedida que, sem palavras, grita “fica mais” ou “volta o mais rápido que você puder”. Porque tudo isso tem a ver com sentir e sentir não tem nada a ver com regras, manuais, segredos e escudos de romances mal terminados do passado.

Patrick Morars, mas pode ser nosso.

domingo, março 16

Falta você

Falta você aparecer aqui em casa sem avisar, pedindo para dormir só essa noite ao meu lado enquanto eu te faço cafuné depois de secar sua saudade. Falta você programar aquela viagem do próximo feriado e só me ligar mandando eu arrumar as malas que está passando para me buscar depois do trabalho. Falta você me jogar contra a parede no meio daquela festa e, sem qualquer espaço para eu decidir se a gente vai continuar juntos ou não, me beijar como se fosse a última vez.


Falta aquele amor no meio da chuva, aquela preocupação com o resfriado no dia seguinte, aquele beijo na testa depois de uma noite intensa, como quem diz: “estou aqui para cuidar de você”. Falta a sua foto no mural do meu quarto, com um sorriso bobo em meio aquela careta que você sabe que eu não resisto. Falta aquele colo no fim de um domingo qualquer, para uma conversa sem qualquer sentido ou para discutir quantos filhos teremos e onde serei ainda mais seu depois do nosso casamento.


Falta você descobrir que aos trinta anos a gente vai ser ainda mais apaixonado do que somos hoje. Que vamos dividir não só os desejos em bilhetinhos bobos, mas também as contas do mercado, a cama depois do trabalho, as preocupações de família e todas as manhãs em que você acordar com aquele mau humor. Falta você, até mesmo, para implicar com aquele ex-namorado, com aquela bebedeira da última festa de rua, com aquele dia em que não te liguei porque peguei no sono no meio das apostilas chatas de legislação.


Falta você me escolher para dividir os últimos dias de nossas vidas, em uma cadeira de balanço no meio da varanda lá de casa ou em uma caminhada no passeio velho do parque. Falta você sorrir, pela primeira vez, ao acordar cedo em pleno domingo e perceber que não falta mais nada, que está tudo ali contigo: tudo que um dia foi sonho e que, agora, se materializa em forma de companhia e do nosso amor.