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segunda-feira, julho 21

Rascunhos (repostando).


Eu amo as madrugadas. Mas é que elas me roubam de um jeito e me avassalam com uma introspecção tal, que é difícil saber para onde eu vou quando acordo. E um trecho, só um trecho de livro, faz com que eu me perca em-si-mesma por entre redemoinhos, labirintos, galáxias... para dentro. Coisa de gente maluca. E eu deixo tocar aquela canção, da faixa de sempre, do CD que eu mais ouvi nessa última semana... e é estranho. É tão estranho.

Não tem tristeza aqui. É pensamento. Gosto de ficar em casa sozinha, descalça, botando água nas plantas e sentindo meus pés pela tábua fria. Mas é que hoje eu matei um vaso de flor, porque não tive paciência pra ele. Eu podia ter botado mais água, colocado no sol, mas é que eu queria que ele florisse antes. Ele não floriu, eu joguei fora. No lixo. A imagem daquele vaso bonito... caído, largado, tristonho me mostrou tanta coisa...

Eu enxergo metáforas por todos os lados, mesmo nesse meu vaso de flor. É que eu não aprendi a ser paciente. E quando as coisas não são exatamente da forma que eu espero que elas sejam, eu sigo em frente. E as flores morrem, fenecem, murmuram lá trás.

Se isso é bom? Acho que não. Mas é que na minha vida eu aprendi que às vezes para alguma coisa florir é preciso mais que cuidado ou fé... é preciso semente. 



(Eternamente meu) Lena.

domingo, junho 29

Epílogos e finais (eu sei).


Para ler ouvindo, Jamz



Eu sei que você vai sentir saudade das minhas palavras no fim da noite exigindo ouvir sua voz, só para que eu me sentisse bem e notar a sua presença mesmo a quilômetros de distância. Sei que aquela aventura e o frio na sua barriga quando viu que eu não estava no lugar combinado, jamais vai sair da sua mente, e um dia você vai conseguir até rir dos minutos, que pareceram horas, daquele momento de espera.

Sei também que um dia você vai conseguir dormir de conchinha com alguém, eu realmente não levo jeito pra isso, mas tentei. E para uma primeira vez foi tudo o que poderia ser. Sei também que certas palavras só combinam com suas conversas. E que até das minhas pressões e falta de sossego, um dia você vai sentir a ausência e vai perceber que a liberdade demais, sufoca.

Você não sabe, mas eu só exigia o seu corpo constantemente perto do meu porque eu morria de medo de fazer frio entre a gente. E você me abraçava, beijava meu pescoço e dormia antes mesmo que eu pudesse transmitir algum carinho em forma de palavra. Você também não sabe mas eu esperava você me procurar para sentir o interesse, mas a minha vontade era de não parar de conversar nunca com você. 

Você não sabe mas os livros que conversamos estão nas minhas prioridades de leitura, e que aquela música que te mandei retrata muito bem o que estou passando. 

Sei que seus tapas era para me controlar, mas eu fazia questão de parecer descontrolado para te perturbar. E eu acho que você gostava.

Eu sei que quando você ter a certeza do que quer, vai se perguntar se meu corpo ainda espera para acomoda o seu e se ainda pode ser o que não foi. Mesmo se não for, aquela nossa viagem para Londres pode acontecer, mesmo sem a lua de mel e os nossos filhos. A questão é que planos feitos foram desfeitos da noite pro dia, lá e cá. 

Eu só não sei, se o nosso orgulho vai assumir posição e nos impedir de sermos felizes. Enquanto olho a janela observo que a gente se completou por uma noite com dois corpos em uma cama, intenso e inédito. Mas espero que enfim, a gente reconheça mesmo depois do ponto final que um dia, fomos nós. E eu não espero que todo esse sentimento um dia acabe, eu só quero que eles se ajeitam e que não me faça sofrer porque só o que é nosso permanece, e você, de certa maneira foi meu.


(Sei também que poderia continuar esse texto e retratar muitas outras coisas, mas outras coisas só a gente precisa saber. E hoje ficaremos com o ponto final.)

domingo, junho 15

Lavei a Toalha


'Cansei desse negócio de tentar ser bom' (Silva)



Eu não queria, mas ela já não cheirava do mesmo cheiro e não fazia mais sentido tê-la daquela maneira que estava quando você a deixou.
Abri as janelas do quarto, o ar precisava entrar, mudei a cama de lugar. Troquei os lençóis. Joguei fora tudo o que restou de um pedaço de uma possível lembrança sua.

Pintei as paredes do quarto, o branco de antes me lembrava hospital, e isso só aumentava minha dor, colori com cores alegres em uma falsa tentativa de se deixar levar pelo meio.
Essa é minha zona de limite, o limite entre a loucura e a dor. O inverno chegou. O ar condicionado agora vai funcionar, ele esquenta. Mas você não vem...
Não sei se mudei tudo para uma possível volta sua, para você perceber que mudei. Ou se mudei para você realmente nunca mais aparecer. O que sei, é que não você não está, os pelos da Malu já caíram e eu já aprendi a cozinhar, porque você não vem?

Mas no fundo, eu sempre soube que o inverno sempre me quis assim, jogado no frio assim, só. Sem satisfações, sem brigas, sem ciúmes, apenas só. É natural que seja assim você aí e eu aqui exatamente aqui.

Criarei um mantra. Não me dou sem ser dado, não alimento mais plantas carnívoras e não espere o ônibus que vai demorar a chegar.


sábado, maio 3

Aquilo que você deixa aqui







O que fica não é teu sexo tardio ou a tua ligeira entrega. Fica teu cheiro marcado na fronha do meu travesseiro e o toque da tua pele que pareceu provocar calafrios a cada minuto. Fica o sorriso de cabeça baixa na mesa do jantar, o elogio despretensioso quando você entrou no carro, o quase beijo da primeira noite que encostou teus lábios no canto direito da minha boca.
E
Não tem nada a ver com teus olhos serem os mais bonitos, nem teu corpo ser o que causa desejo por onde passa. Tem a ver com a forma como você agitou as borboletas adormecidas que vivem aqui dentro. Tem a ver com os sorrisos bobos que teimaram em aparecer durante o dia em meio aos pensamentos soltos. Tem a ver com as horas que se arrastam quando só cabe saudade para definir o que a rotina nos impôs.

Você não deixa lembranças quando se esconde atrás desse muro de incertezas criado para autodefesa. Você só se frustra ainda mais com esse tal de amor que nunca deu certo em sua vida. Na realidade, você só deixa marcas na pele quando se entrega: aos desejos, aos encantos, às incertezas que o destino te reserva, mas que só você pode dizer sim. Você somente deixa marcas aí dentro quando me dá sua mão e finge não ver todos os olhares daquela gente careta que se alimenta de pequenices vazias.

Quer saber? O que fica é aquela tua companhia do fim de semana passada, aquele teus olhos apertados acordando e dando de cara com meu bom dia em forma de sorriso de cara amassada. O que fica é aquele abraço de despedida que, sem palavras, grita “fica mais” ou “volta o mais rápido que você puder”. Porque tudo isso tem a ver com sentir e sentir não tem nada a ver com regras, manuais, segredos e escudos de romances mal terminados do passado.

Patrick Morars, mas pode ser nosso.

domingo, março 16

Falta você

Falta você aparecer aqui em casa sem avisar, pedindo para dormir só essa noite ao meu lado enquanto eu te faço cafuné depois de secar sua saudade. Falta você programar aquela viagem do próximo feriado e só me ligar mandando eu arrumar as malas que está passando para me buscar depois do trabalho. Falta você me jogar contra a parede no meio daquela festa e, sem qualquer espaço para eu decidir se a gente vai continuar juntos ou não, me beijar como se fosse a última vez.


Falta aquele amor no meio da chuva, aquela preocupação com o resfriado no dia seguinte, aquele beijo na testa depois de uma noite intensa, como quem diz: “estou aqui para cuidar de você”. Falta a sua foto no mural do meu quarto, com um sorriso bobo em meio aquela careta que você sabe que eu não resisto. Falta aquele colo no fim de um domingo qualquer, para uma conversa sem qualquer sentido ou para discutir quantos filhos teremos e onde serei ainda mais seu depois do nosso casamento.


Falta você descobrir que aos trinta anos a gente vai ser ainda mais apaixonado do que somos hoje. Que vamos dividir não só os desejos em bilhetinhos bobos, mas também as contas do mercado, a cama depois do trabalho, as preocupações de família e todas as manhãs em que você acordar com aquele mau humor. Falta você, até mesmo, para implicar com aquele ex-namorado, com aquela bebedeira da última festa de rua, com aquele dia em que não te liguei porque peguei no sono no meio das apostilas chatas de legislação.


Falta você me escolher para dividir os últimos dias de nossas vidas, em uma cadeira de balanço no meio da varanda lá de casa ou em uma caminhada no passeio velho do parque. Falta você sorrir, pela primeira vez, ao acordar cedo em pleno domingo e perceber que não falta mais nada, que está tudo ali contigo: tudo que um dia foi sonho e que, agora, se materializa em forma de companhia e do nosso amor.


sábado, fevereiro 15

Retorno

Por definitivo vou ficar quieto.
"Hoje eu quero sair, só" 
(Sandy)


Só quero contemplar o cosmo e prosseguir devagarinho a caminhar, como a cada tragada que dava no cigarro, Um passo, pausa, outro passo.
É que antes, eu corri. Queria que tudo acontecesse no meu instante, veloz. Por isso, estabanei de cara no muro, pessoas, em tudo. Não sabia usar o freio. E agora faço justamente o oposto, ficarei parado, no ponto morto, nulo.
Mas não ficarei parado na esperança de alguém encostar do meu lado e me oferecer um reboco. É que não quero ninguém, e nem o ninguém será muito bem-vindo. Quero parar no concerto, há algo que precisa ser mudado, mas mudarei por mim e somente assim, vou contemplar, quero ser e estar, mas comigo, apenas eu e o meu universo particular. E hoje, mais do que nunca será bem particular.
Não é promessa, é consequência.
E essa é a consequência da velocidade. Quilômetros demais, troca de óleo demais...

E chega.


quarta-feira, fevereiro 5

Ela, Ele.

Ela via o mundo, ele via o mundo. Viam sob a mesma luz. Isso é tudo e era tudo que havia entre os dois em comum.
Se conheceram, no inverno de 2002, no vento um prelúdio do que viria depois.
O frio desculpa se fez, pra ele estender seu casaco nos ombros dela.
O inverno então se desfez, quando ela em troca lhe deu com o olhar um abraço.

Ele era um aspirante a poeta e ela era inspiração. E pra ele qualquer coisa nela despertava uma canção.

Ela que sempre buscava em tudo um porque, com ele, bastava estar, sentir e viver.

O tempo voava pros dois e nem todo o tempo do mundo seria o bastante.
Os dias vividos a dois provavam que a eternidade é só um instante.

Ela já quis ser de tudo e até sonhou em ser piloto de avião, finalmente alcançou o céu no instante em que ele lhe pediu a mão.

Três letras, ela respondeu e a mais linda música se transformou sua voz.

Enfim não haveria mais qualquer fragmento de vida, vivido a sós.