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sexta-feira, março 15
sábado, março 2
Sem. Ti. (Mentos)
"Losing him was blue, like I'd never known. Missing him was dark gray, all alone.
Forgetting him was like trying to know somebody, you never met.
But loving him was red, loving him was red."
(Taylor Swift)
[Negar já não é preciso.]
Eram dois celulares desligados quando juntos e totalmente ligado quando separado, era toque profundo e era saudade do toque, era beijo nos olhos era barba no peito, eram duas crianças quando longe e dois jovens-mudo quando perto. Era beijo que parecia mordida e mordida que parecia carinho, era abraço de prender a respiração e aperto implorando pela não partida, era respiração rápida e depois suave, eram vontades aos extremos. Era solidão a dois, era um só, era carne tentação desejo, era lágrimas e risos, era horas ao telefone para ouvir uma voz. Era falta de assunto. Era melodia, era Caetano longe e Rita Lee por perto. Eram ciúmes, era orgulho. Era muita muita muita saudade. Era alegria e era tristeza, era ódio e depois amor, ah não, não era amor... Era mais.
domingo, fevereiro 17
Uma xícara de chá
Mãe, meu chá acabou!
- Não tem mais, filho.
- E de outro sabor? - implorava com olhos nostálgicos e sedentos.
- Você não iria querer misturar com as últimas gotinhas grudadas em sua xícara, iria?
O pano de mesa continuava florido, mesmo que, mais cedo, você tivesse derramado chá e, sem querer, o amargo da sua boca ainda refletisse na falta de açúcar do pote transparente. Aproveitamos a sua derradeira falta de atenção e resolvemos nunca mais marcar outro café daqueles. Nem chá, nem suco, nem água, nem um oi. Não combinávamos mais com torradas, geleias, toalha de mesa de morangos ou mesmo duas xícaras de louça japonesa com sachês usados no pires.
Rearranjaram as cadeiras e a que sempre foi sua puseram intencionalmente do outro lado da casa, escondida no sótão para que eu nunca fosse capaz de ir buscar. Meu medo de escuro só perderia para minha rejeição por poeira, exatamente como nós dois provavelmente acabaríamos: empoeirados e escondidos. Por medo, acreditei que a nova combinação de cadeiras da sala de estar ficaria incrível com o tempo. Por saudade, acreditei que era tudo uma questão de costume. Por amor, fugi da cama à noite e fui a passos curtos e miúdos naquele esconderijo onde te guardaram só para mais uma vez saber que você estava lá.
De manhã, as cadeiras, os chás e a toalha de morangos sorriam em tons de bom dia, sem saber que naquela noite eu quebrei o acordo de aceitar mudar a sala de estar por pelo menos alguns dias. Abri mais um sachê do último chá que dividimos e percebi que pouco importava se os outros sabores eram deliciosos. Hoje, era só o seu aroma que eu precisava pra sorrir mais uma vez. Mesmo que dessa vez eu só precisasse de uma xícara e a sua cadeira.
- Não tem mais, filho.
- E de outro sabor? - implorava com olhos nostálgicos e sedentos.
- Você não iria querer misturar com as últimas gotinhas grudadas em sua xícara, iria?
O pano de mesa continuava florido, mesmo que, mais cedo, você tivesse derramado chá e, sem querer, o amargo da sua boca ainda refletisse na falta de açúcar do pote transparente. Aproveitamos a sua derradeira falta de atenção e resolvemos nunca mais marcar outro café daqueles. Nem chá, nem suco, nem água, nem um oi. Não combinávamos mais com torradas, geleias, toalha de mesa de morangos ou mesmo duas xícaras de louça japonesa com sachês usados no pires.
Rearranjaram as cadeiras e a que sempre foi sua puseram intencionalmente do outro lado da casa, escondida no sótão para que eu nunca fosse capaz de ir buscar. Meu medo de escuro só perderia para minha rejeição por poeira, exatamente como nós dois provavelmente acabaríamos: empoeirados e escondidos. Por medo, acreditei que a nova combinação de cadeiras da sala de estar ficaria incrível com o tempo. Por saudade, acreditei que era tudo uma questão de costume. Por amor, fugi da cama à noite e fui a passos curtos e miúdos naquele esconderijo onde te guardaram só para mais uma vez saber que você estava lá.
De manhã, as cadeiras, os chás e a toalha de morangos sorriam em tons de bom dia, sem saber que naquela noite eu quebrei o acordo de aceitar mudar a sala de estar por pelo menos alguns dias. Abri mais um sachê do último chá que dividimos e percebi que pouco importava se os outros sabores eram deliciosos. Hoje, era só o seu aroma que eu precisava pra sorrir mais uma vez. Mesmo que dessa vez eu só precisasse de uma xícara e a sua cadeira.
Texto do Patrick Moraes, para sempre, meu.
terça-feira, fevereiro 5
Retrogrado
Tentei correr.
Não consegui,
Tudo embaralha.
Dispara
diz parar.
Então volto,
meu caminho é sempre o mesmo,
sou previsível
às vezes invisível
mas sempre assíduo.
Tum Tum Tum
meu coração acelera.
Acelerar, volto a corre,
Ou correr e Ocorre. Ré.
Ouvindo O Teatro Mágico, ali.
quinta-feira, janeiro 24
Emprestadas
"Talvez ele nunca saiba que ela mudou os móveis de lugar, mandou queimar o colchão que já conhecia tanto o peso dos dois, e deu pro morador de rua o edredom que testemunhara tantos abraços noturnos. Dormiu no chão, quis mudar de religião, leu Lacan e criticou Freud pelo seu processo lento e generalizador. Pensou em mudar de curso, de profissão, de cidade. Quis mudar de si, já que seu corpo era a casa de um só sentimento. Fez uma viagem, não quis conhecer ninguém, posou de antipática porque estava apática. Se escondeu da lua cheia, fez do seu quarto um campo de concentração e depois se mudou para sala. Trancou todas as portas pra não entrar qualquer ilusão. Por tanto tempo era ela e sua tristeza intransitiva. O que ele também não sabe porque nem ela sabia, é que um dia ela acordaria assim, vazia daquele amor. A dor exaustiva de cabeceira havia cessado, deixada no fundo do poço. Parou de se alimentar daquela porção individual de desilusão e enterrou o passado num túmulo desconhecido, para que não houvesse a menor possibilidade de revisitá-lo.
(Ele quase soube disto quando pensou que ainda estava recente para ensaiar uma recaída,um flashback. Mas para ela, que só soube na hora do reencontro tão almejado, já era tarde.) Havia criado um mantra: No momento em que me dei inteira, ele me deu as costas. Isso não pode continuar supervalorizando uma saudade. (...) E o seu melhor vestido pedia uma nova chance e um rímel à prova d'água."
(Ele quase soube disto quando pensou que ainda estava recente para ensaiar uma recaída,um flashback. Mas para ela, que só soube na hora do reencontro tão almejado, já era tarde.) Havia criado um mantra: No momento em que me dei inteira, ele me deu as costas. Isso não pode continuar supervalorizando uma saudade. (...) E o seu melhor vestido pedia uma nova chance e um rímel à prova d'água."
Minha, Marla de Queiroz.
Pró Seco
(Eu sinto sei que sou um tanto bem maior.)
Logo tudo se resolve, o que tem pra cair cai e o que tem para aparecer aparece. É mágico. É triste. Mas foi esperado.
E me deito, na rede, e paro para fazer análise e planos para a próxima colheita. Eu gosto de ser estratégico. Odeio improviso. E então, me senti mal ao ver matagal onde espera uma grama verde, percebi que só perdi tempo e dedicação. Definitivamente há coisas que só merecem o chão seco, sem água e sol na medida. Mas isso não significa que esse matagal possui alimento e brilho próprio, na verdade ele não merece não merece e não merece tamanho trabalho.
E...
Cri a dor, Criai e atura.
terça-feira, janeiro 22
1,2,3 4.
Eu me entrego pros dias de sol, pra camisas de banda e até pra chocolates, ou filmes de romance esquecidos na estante. Pros perfumes que deixam boas lembranças, pras risadas que me tiram todo o ar, às cores vibrantes do seu tênis que caminham em minha direção. Caminho devagar, se o tempo for bom.Não pense muito no fim, tudo se adapta. Se alguém te deixou cego, não questione, simplesmente vá. Se o errado pra mim for o certo, eu não me importo. Eu me entrego.
Eu me entrego à sua bagunça na minha sala, a um bom livro antes de dormir.
Ao hoje, ao agora e ao talvez…Ao compromisso de realizar meus sonhos.
Desapego até dos meus esconderijos, aos berros. Deixe a deixa aberta, aperte um sorriso num mundo colorido pra que viver apenas uma cor?
À música estrondosa, à casa vazia, chão gelado e silêncio interior. Às bocas vermelhas, às meias de lurex, às unhas compridas, tudo junto, só se for.
Eu me entrego apenas quando souber que o que iremos passar vai ter valido uma canção.
Meia hora a mais na cama na segunda-feira, um dia chuvoso bem embaixo do edredom.
Ao colo de quem me aceita assim, a tudo que puder antes que a cortina feche. Até de malas prontas, me arrisco a compor, de um jeito que ninguém sabe, sem sonhar com os pés no chão.
Entregue-se àquilo que te faz sentir.
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