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domingo, junho 29

Epílogos e finais (eu sei).


Para ler ouvindo, Jamz



Eu sei que você vai sentir saudade das minhas palavras no fim da noite exigindo ouvir sua voz, só para que eu me sentisse bem e notar a sua presença mesmo a quilômetros de distância. Sei que aquela aventura e o frio na sua barriga quando viu que eu não estava no lugar combinado, jamais vai sair da sua mente, e um dia você vai conseguir até rir dos minutos, que pareceram horas, daquele momento de espera.

Sei também que um dia você vai conseguir dormir de conchinha com alguém, eu realmente não levo jeito pra isso, mas tentei. E para uma primeira vez foi tudo o que poderia ser. Sei também que certas palavras só combinam com suas conversas. E que até das minhas pressões e falta de sossego, um dia você vai sentir a ausência e vai perceber que a liberdade demais, sufoca.

Você não sabe, mas eu só exigia o seu corpo constantemente perto do meu porque eu morria de medo de fazer frio entre a gente. E você me abraçava, beijava meu pescoço e dormia antes mesmo que eu pudesse transmitir algum carinho em forma de palavra. Você também não sabe mas eu esperava você me procurar para sentir o interesse, mas a minha vontade era de não parar de conversar nunca com você. 

Você não sabe mas os livros que conversamos estão nas minhas prioridades de leitura, e que aquela música que te mandei retrata muito bem o que estou passando. 

Sei que seus tapas era para me controlar, mas eu fazia questão de parecer descontrolado para te perturbar. E eu acho que você gostava.

Eu sei que quando você ter a certeza do que quer, vai se perguntar se meu corpo ainda espera para acomoda o seu e se ainda pode ser o que não foi. Mesmo se não for, aquela nossa viagem para Londres pode acontecer, mesmo sem a lua de mel e os nossos filhos. A questão é que planos feitos foram desfeitos da noite pro dia, lá e cá. 

Eu só não sei, se o nosso orgulho vai assumir posição e nos impedir de sermos felizes. Enquanto olho a janela observo que a gente se completou por uma noite com dois corpos em uma cama, intenso e inédito. Mas espero que enfim, a gente reconheça mesmo depois do ponto final que um dia, fomos nós. E eu não espero que todo esse sentimento um dia acabe, eu só quero que eles se ajeitam e que não me faça sofrer porque só o que é nosso permanece, e você, de certa maneira foi meu.


(Sei também que poderia continuar esse texto e retratar muitas outras coisas, mas outras coisas só a gente precisa saber. E hoje ficaremos com o ponto final.)

domingo, junho 15

Lavei a Toalha


'Cansei desse negócio de tentar ser bom' (Silva)



Eu não queria, mas ela já não cheirava do mesmo cheiro e não fazia mais sentido tê-la daquela maneira que estava quando você a deixou.
Abri as janelas do quarto, o ar precisava entrar, mudei a cama de lugar. Troquei os lençóis. Joguei fora tudo o que restou de um pedaço de uma possível lembrança sua.

Pintei as paredes do quarto, o branco de antes me lembrava hospital, e isso só aumentava minha dor, colori com cores alegres em uma falsa tentativa de se deixar levar pelo meio.
Essa é minha zona de limite, o limite entre a loucura e a dor. O inverno chegou. O ar condicionado agora vai funcionar, ele esquenta. Mas você não vem...
Não sei se mudei tudo para uma possível volta sua, para você perceber que mudei. Ou se mudei para você realmente nunca mais aparecer. O que sei, é que não você não está, os pelos da Malu já caíram e eu já aprendi a cozinhar, porque você não vem?

Mas no fundo, eu sempre soube que o inverno sempre me quis assim, jogado no frio assim, só. Sem satisfações, sem brigas, sem ciúmes, apenas só. É natural que seja assim você aí e eu aqui exatamente aqui.

Criarei um mantra. Não me dou sem ser dado, não alimento mais plantas carnívoras e não espere o ônibus que vai demorar a chegar.