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domingo, dezembro 30

Canhotto


É que esta cada vez mais difícil colocar para fora tudo o que machuca e conforta aqui dentro, por isso me limito em 'oi e olá' parecendo um pouco seco e desinteressante, mas é o máximo que eu consigo dizer sem demonstrar tamanho sentimento calado no meu interior.
Assim tudo vai mudando e continuando tudo tão igual, parece que estou e não estou na sua vida... Você às vezes me parece tão estranho. Suas meias palavras, seus trejeitos de um ar de mistério, mistérios esse que tento desvendar, mas, desvendo da maneira errada. Eu vendo falsas convicções a seu respeito pra mim mesmo e não consigo comprar.

É que me engasga e me sufoca, eu não sei dizer e não respiro. Eu piro, e isso não é legal. Eu não sei a dose certa, sempre perco o freio. É que tudo o que é muito bem calculado e planejado nunca me encantou, sempre fui de loucos e insanos amores... E hoje pago a conta cara.

sábado, dezembro 1

Rascunhos


Eu amo as madrugadas. Mas é que elas me roubam de um jeito e me avassalam com uma introspecção tal, que é difícil saber para onde eu vou quando acordo. E um trecho, só um trecho de livro, faz com que eu me perca em-si-mesma por entre redemoinhos, labirintos, galáxias... para dentro. Coisa de gente maluca. E eu deixo tocar aquela canção, da faixa de sempre, do CD que eu mais ouvi nessa última semana... e é estranho. É tão estranho.

Não tem tristeza aqui. É pensamento. Gosto de ficar em casa sozinha, descalça, botando água nas plantas e sentindo meus pés pela tábua fria. Mas é que hoje eu matei um vaso de flor, porque não tive paciência pra ele. Eu podia ter botado mais água, colocado no sol, mas é que eu queria que ele florisse antes. Ele não floriu, eu joguei fora. No lixo. A imagem daquele vaso bonito... caído, largado, tristonho me mostrou tanta coisa...

Eu enxergo metáforas por todos os lados, mesmo nesse meu vaso de flor. É que eu não aprendi a ser paciente. E quando as coisas não são exatamente da forma que eu espero que elas sejam, eu sigo em frente. E as flores morrem, fenecem, murmuram lá trás.

Se isso é bom? Acho que não. Mas é que na minha vida eu aprendi que às vezes para alguma coisa florir é preciso mais que cuidado ou fé... é preciso semente






quinta-feira, novembro 15

Guto


Esse é o Augusto, o Guto - Disse a diretora.
Eu o olho, a princípio ignoro a presença de se ter mais um All Star de cano-alto preto naquela escola. Eu já não gostava de ser comum. Era demais pra mim. E as aparências já traduziam muita coisa para mim. Essa parte da minha vida eu chamo de Olhares.


Guto sentou-se e logo se identificou com meus trajes. Com olhar de falsa superioridade eu o encarei (a primeira de várias) e deixei claro que aquele, era o meu espaço. Guto, sincero Guto, amável Guto, não se deixou levar pela minha aversão.
Com o passar dos dias, todos já estavam gostando de conviver com Guto, eu, relutava. Eu não assumia os fatos, e sofri para aceitar que Guto era oposto a tudo o que pensava. Esse momento eu chamo de Descobertas.


Guto começou a permanecer na minha cabeça, eu já não sabia mais nada, só sabia que ele era legal e era diferente do que estava acostumado a ter,conviver, ser. Guto malhava, fazia esportes e tinha uma vida ocupada, já eu, me ocupava por livros de romances e músicas. Guto não era, mas passou a ser o que eu queria para a vida, ele virou meu ápice meu declínio, eu virei clichê e me deparei com um eu que não conhecia. Esse momento eu chamo de  Sentindo.


Não sei por qual motivo, decidi que de amanhã não passava, Guto ia saber o que apenas eu sabia. Cumprir prazos nunca foi meu forte, mas me vigiei e não ia adiar meu segredo. 
Deu o tal dia, sentei ao lado de Guto, peguei um bloco de anotações e escrevi o que se passava pela minha cabeça e o entreguei. Guto leu concentrado como quem havia recebido uma bomba e tinha que cancela-lá, com o passar dos segundos meu coração subia à boca, por momentos quis saber o que ele pensava ao ler aquele bilhete mal feito, por outros, queria ter permanecido na cama dormindo e que isso fosse apenas um sonho e que em breve eu ia acorda e nada disso teria ocorrido. Mas era real. Esse momento eu chamo de Aflição.


Guto pegou o bilhete e disse que não sabia o que falar, ficou serio e em seguida surgiu um sorriso meio bobo e sem jeito, eu não entendi, então ele me abraçou forte e disse no meu ouvido que também sentia a mesma coisa mas não acreditava que um dia eu também poderia sentir o mesmo, já que eu parecia tão frio com ele, e no momento em que ele ia dizendo o que sentia eu percebia que dentro de tanta perfeição que nele existia ele também era inseguro, como eu, e assim permaneci me encantando.... Esse momento eu chamo de Sempre.



"Meu All Star azul combina com o seu preto, de cano alto."
Nando Reis (adaptado).

segunda-feira, outubro 15

Com remetente

Quero você do meu lado, como aquele dia no sofá, com a luz apagada e um pequeno brilho que vinha da varanda em nossa frente. A gente já não era mais os mesmos. Você continuava cheio de beleza, com aquelas conversas bobas e aquela intensa pirraça que ainda me fazia te olhar torto, mas cheio de vontade de rir. Eu já não te queria como antes, eu te queria como nunca tive, de braços fechados e salivas trocadas no meio da noite com outro qualquer. Outro que jamais teria nome ali, era impessoal e sujeito comum, que não completa sequer uma oração, quanto mais formará aqueles longos períodos que a gente escreveu.

Sim, eu ainda tinha ciúmes. Mas não era aquele desejo excessivo de matar alguém porque você fazia parte de mim. Era o gosto amargo de ter te perdido, de ter aberto mão, de sentir alguns grãos de areia escorrer pelos dedos. Lembro que desde pequeno eu achava que poderia segurar toda a praia com apenas um aperto de mão. Nunca gostei de baldinho e sempre construi meu castelo sozinho, mas chorava ao vê-lo despedaçar com a onda por não ter ouvido meus primos berrando que o lugar estava errado.

Desisti de acreditar que eu era capaz de segurar tudo em minha mão. Fiz birra, chorei, resolvi mergulhar no mar e voltar limpo, de alma lavada, mas o coração ainda se mostrava fechado pra você. Se eu voltar um dia para aquele sofá, me despeço com um beijo, dessa vez com gosto de carinho, como nunca perdemos um pelo outro. Dissolvemos, decerto, em outros sentimentos azedos, instingantes, desejados por uns, mas que nunca vingaria pra sempre. Se nosso amor não vingou, por que nossa eterna briga de casal separado vingaria? E que fique a ternura, o beijo na mão de cada encontro nos fins de tarde e os doces que sempre nos fizeram mais amigos.



texto de Patrick Moraes ,porem, tão meu.

sexta-feira, outubro 12

(Acho que eu mesmo esqueci o tom).


E se doar nunca se doeu tanto...
Quando o garoto disse que te queria, ela não hesitou, e em um gesto simples e complexo disse eu também - Mal sabia ela que estava assinando a carta de expulsão total da vida dele-, então o tempo comprovou seus pesadelos e hoje ela teme se envolver outra vez.
Ela se enamorou, aprendeu a lidar com ela mesma, aprendeu a se embelezar para você mesma e já não se importa com o que o espelho vende para ela. Ela se enamorou não ver mais garotos com olhar de desejo, ela já não liga para a moda e nem acompanha novelas. Ela se enamorou e se realizou assim, cultivou seus valores e hoje sua vida esbanja felicidade.
Ela se enamora, e quem a ver carregada de tantas flores não imagina de onde vem o pólen...  

domingo, julho 29

Diálogos


Então meu anjo nessas madrugadas tolas e bobas da vida, me pergunta "faz falta?"
E eu em um simples ato de ignorância ou desprezo digo "não" e após a resposta, pensa...
Mas meu anjo, é onisciente e sabe que estou mentindo. Ah! Mas o meu anjo sabe que é essa a mentira que eu quero para mim, pra sempre.

E então meu anjo diz...

- Não se afobe não, meu caro, que o amor pode esperar. Ele não tem pressa, muito menos lugar
 Afinal, ou a inicial,  Amores, estarão sempre por aí e ainda assim serão amáveis. E o amor que guardaste contigo, sem um porque nem por razão ou outra coisa qualquer, haverá alguém que há de merecer.

Eu disse amém, e inconformado disse:

- És tu anjo sábio, deveria saber que as estações já mudaram e muita coisa aconteceu. Eu já não acredito no pra sempre, ele provou para mim que acaba. E o amor que herdei dos meus pais, não sei usá-lo de forma correta, não sei a dose certa. E tudo aquilo, ficou na fotografia junto dos laços invisíveis da vida.

E meu sábio anjo apenas disse:

- Ame como se nunca tivesse amado, acerte como se nunca tivesse errado e sonhe como se jamais tivesse sido acordado.

Após, eu me deitei e dormi.



(à  Chico, Lenine,  Nando , Cássia e claro Caetano.)

quarta-feira, julho 25

(...)


" Lá mesmo esqueci que o destino, sempre me quis só. No deserto sem saudade, sem remorso, só. Sem amarras, barco embriagado ao mar. Não sei o que em mim, só quer me lembrar que um dia o céu reuniu-se à terra um instante por nós dois pouco antes de o ocidente se assombrar. "  Adriana Calcanhotto




Das cinzas dos dias claros me restou apenas o consolo do meu abraço.

Esqueci novamente que felicidade é continuidade é muito mais que ser estar e marcar.
E nessa continuidade inconstante de amores e amores, me perco nos sentimentos e tudo o que um dia jurei ser o mais puro e sincero de repente tudo se desmorona sob minhas costas e eu senti que o nunca dói e fere. Dói-me saber que o meu tudo não é suficiente e me fere perceber que a indiferença move as nossas semelhanças. Ainda bem que não me arrependendo da minha presença na sua vida, eu só me arrependo da maneira em que saí...
Porque se entregar é uma dádiva e se negar a tudo isso é ser papalvo...







E eu volto pra fevereiro toda hora...