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sexta-feira, setembro 19

Cem gramas, sem dramas

Mais uma dose, é claro que eu to a fim.

Ele saiu logo quando estava escurecendo de casa, sua mãe da janela o olhava partir, ela já sabia que ele não voltava pra jantar. Ele saiu cheio da sagacidade que a noite lhe prometia, parou no bar e virou a primeira purinha.

Ele foi absorver toda adrenalina que ta no ar, pegou o ônibus e encontrou sua galera, as novidades são as sequelas da noite anterior, todos estão derramados mas estão lá para a repetição, ninguém ali tem asa mas todos podem voar aquela noite.

No fundo todos queriam estar em outro lugar com outra pessoa, sabe né, essa é a galera que tenta desencanar através das altas doses de xixa e as substâncias que as quebradas oferecem, unidos pelas solidão, ta ligado? 

Mas a noite é longe e de loucas paixões ela será feita. De longe ele ver um antigo caso vindo em sua direção, era a vez dele de passar o baseado mas ele passou pra pessoa errado e geral brigou, na rua tudo se perdoa mas erra a ordem do baseado aí já é sacanagem! o boy chega abraça e vê a decadência que seu antigo caso está. O boy tenta alertar, mas ele responde que a vida ta cheio de limitado querendo te limitar e que só quer viver.

Ele já não é mais o mesmo, nem se relaciona com os mesmo, seu gosto mudou assim como suas gírias, seu gosto tem mais palavras do que melodia e sua galera é preparada e salvadora. 
Falam que ele fez isso por rebeldia do coração, que seja, hoje ele quer ser livre, enquanto os muleques jogam bola do outro lado, aqui eles botam fogo e se divertem a sua maneira.

Não fazem mal a ninguém, no fundo, são todos vítimas dos sentimentos. A reação nesse caso, é a interior, usam as substâncias mais variadas pra matar o que está dentro, cada um mata o amor como melhor preferir. De 4 em 4 horas de fogo o tempo pensando em alguém fica escasso, assim é bom.

A noite rola e eles continuam enrolando, sempre aparece alguém pra acrescentar na madrugada, nesse caso foi um convite para ir pra cama. Esses são os dois vícios dele, a noite e o sexo, e nessa noite, ele saiu vitorioso da Jamaica.


(Morrendo devagarinho


quinta-feira, setembro 11

Nota

Vasculhando nas memórias algum assunto, encontrei a carta que eu rabisquei na capa de um livro: “pra você”, era o destinatário. Não sei por que não mandei, talvez não quisesse passar a limpo o passado. Em letras garrafais eu te dizia: “acertei o caminho não porque segui as setas, mas porque desrespeitei todas as placas de aviso”. E achei curioso eu usar essa metáfora sem nem ao certo saber o que queria te dizer com isto. E depois de repousadas aquelas palavras eu percebi quanta coisa eu escrevi pra você, querendo dizer pra mim. Porque eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta. Tive que voltar atrás, andar em círculos, perder dias, perder o rumo, perder a paciência e me exaurir em tentativas aparentemente inúteis pra encontrar um quase endereço, uma provável ponte: a entrada do encontro.Você tão ocupado com seus mapas, tão equipado com sua bússola, demorou tanto, fez sinais de fumaça e não veio. Você simplesmente não veio. Mas me ensinou a intuir caminhos certos, a confiar nos passos, a desconfiar dos atalhos. Porque eu estava do outro lado e só. Sem amparo. Mas caminhava. E você estava absolutamente equipado com seu peso. E impedido de andar por seus medos.

(Marla)