Quero você do meu lado, como aquele dia no sofá, com a luz
apagada e um pequeno brilho que vinha da varanda em nossa frente. A gente já
não era mais os mesmos. Você continuava cheio de beleza, com aquelas conversas
bobas e aquela intensa pirraça que ainda me fazia te olhar torto, mas cheio de
vontade de rir. Eu já não te queria como antes, eu te queria como nunca tive,
de braços fechados e salivas trocadas no meio da noite com outro qualquer.
Outro que jamais teria nome ali, era impessoal e sujeito comum, que não
completa sequer uma oração, quanto mais formará aqueles longos períodos que a
gente escreveu.
Sim, eu ainda tinha ciúmes. Mas não era aquele desejo
excessivo de matar alguém porque você fazia parte de mim. Era o gosto amargo de
ter te perdido, de ter aberto mão, de sentir alguns grãos de areia escorrer
pelos dedos. Lembro que desde pequeno eu achava que poderia segurar toda a
praia com apenas um aperto de mão. Nunca gostei de baldinho e sempre construi
meu castelo sozinho, mas chorava ao vê-lo despedaçar com a onda por não ter
ouvido meus primos berrando que o lugar estava errado.
Desisti de acreditar que eu era capaz de segurar tudo em
minha mão. Fiz birra, chorei, resolvi mergulhar no mar e voltar limpo, de alma
lavada, mas o coração ainda se mostrava fechado pra você. Se eu voltar um dia
para aquele sofá, me despeço com um beijo, dessa vez com gosto de carinho, como
nunca perdemos um pelo outro. Dissolvemos, decerto, em outros sentimentos
azedos, instingantes, desejados por uns, mas que nunca vingaria pra sempre. Se
nosso amor não vingou, por que nossa eterna briga de casal separado vingaria? E
que fique a ternura, o beijo na mão de cada encontro nos fins de tarde e os
doces que sempre nos fizeram mais amigos.
texto de Patrick Moraes ,porem, tão meu.